
Ontem, 19 de junho, fui ao hospital novamente, para retirar os documentos da primeira curetagem e o resultado de alguns exames de sangue que fiz, que faziam parte do pré-natal para levar no advogado...
Por ter perdido meu bebe enquanto trabalhava mesmo depois da curetagem, pensei que seria bom fazer um outro ultra-som, porque se o bebe ficou no útero, algo mais poderia ter ficado.
Adivinhem ? Fiz o ultra-som e tinha sim algo no útero: um resto de placenta de 22mm, que não saiu depois da curetagem, nem junto com o bebe, nem enquanto sangrava... ficou grudado na parede do útero, o colo do útero se fechou e o médico declarou que não iria sair sozinho... tive que ficar internada novamente... e fazer outra curetagem.
Depois da noticia, tinham que me preparar para a curetagem, mas pedi antes pra tomar um ar e fazer algumas ligações... saí do hospital e chorei, chorei muito. Liguei para meu pai, e chorando contei pra ele que ficaria internada denovo, e pedi que ele avisasse no meu serviço e para minha mãe (eles são separados a 15 anos).
Por causa do processo e da pressão que colocamos no hospital (que principalmente o meu namorado colocou nas enfermeiras e na administração do hospital), a enfermeira chefe do hospital inteiro acompanhou nossa consulta, nosso ultra-som, e "fez questão" de me colocar com os melhores médicos.
Falei pra ela que não queria mesmo ficar dentro da sala junto com as grávidas e que isso era o mínimo que o hospital podia fazer por mim. Também falei que não queria que me colocassem no segundo andar, porque é onde o berçário fica, e foi onde fiquei da ultima vez, DO LADO DO BERÇÁRIO. Não queria ficar sozinha nem um minuto, e apesar do plano ser enfermaria ela disse que tentaria pegar um quarto separado pra mim, e se não conseguisse ia tentar arranjar uma enfermaria vazia.
Logo depois disso a enfermeira chefe do hospital sumiu... sem falar nada, simplesmente não apareceu mais... nem na preparação, nem nos passos seguintes vi a cara dela. Ela simplesmente saiu e não voltou a acompanhar o caso. Até agora me pergunto aonde estava a indignação dela nesse momento. Aonde será?
Enquanto me preparavam para o procedimento o meu namorado foi assinar os documentos da internação... colocaram um acesso no braço direito porque o esquerdo ainda estava inchado da ultima internação. Subi para esperar pela curetagem e adivinhem? Não havia nada que o hospital podia fazer em relação a ficar em outro lugar, senão o centro cirúrgico. E o quarto??? Não podiam me colocar em apartamento porque meu plano era enfermaria, e não me colocaram num quarto sozinha para que meu namorado pudesse passar a noite comigo.
Meu namorado pediu apartamento e disse que pagaria a diferença, mas o hospital não aceitou dizendo que já tiveram vários problemas com esse tipo de coisa e que não faziam mais isso.
Então tentamos fazer transferência porque não queria ficar naquela MERDA... o mais próximo de Santo Amaro era na Vila Mariana, sem problemas.
Mas o hospital também não aceitou a transferência falando que eu ja estava no meio do atendimento (até com o acesso no braço), e que por terem apartamento vago o outro hospital não me aceitaria.
Fiquei puta... meu namorado brigou com quem pôde naquela merda... mas não adiantou nada. Só decidi continuar com aquilo tudo porque já faziam 11 dias que eu tinha feito a primeira curetagem, e o risco de infecção era enorme. Os médicos falaram que foi muita sorte minha não ter infeccionado antes, e o pior é que isso é verdade.
Se eu não fizesse o mais rápido possível, e tivesse uma infecção, poderia até perder meu útero... e eu jamais deixaria isso acontecer.
Então fui para o centro cirúrgico obstétrico. Dessa vez não tive que ter contrações porque restos de placenta são "maleáveis", conseguem, digamos assim, mudar de forma, não igual ao meu bebê, que não era "maleável" para passar pelo colo do útero.
Mas tive uma surpresa: Tinha que esperar até as 15h para fazer a curetagem por causa do jejum... quando fiquei sabendo disso, era exatamente 11:50 da manhã. Haviam 2 grávidas no mesmo lugar que eu, e até as 15h eu ouvi 3 partos, ouvi o choro dos bebês e os médicos dizendo coisas do tipo: "parabéns!", "é a cara do papai!", "que fofinho!"
Chorei muito... fiquei desesperada... chegou um momento que queria sair correndo dalí para pedir ajuda, queria segurar a mão do meu namorado mas ele não podia ficar lá dentro... eu não podia entrar com eletrônicos, nem celular nem nada que me distraísse. Fiquei alí, ouvindo tudo, sentindo tudo, desejando desmaiar e acordar quando tudo tivesse passado.
(...)
Às 15h fui finalmente levada a sala de cirurgia, me anestesiaram (anestesia geral) e finalmente pude "descansar".
Achei que ia acordar do mesmo jeito que acordei da ultima vez: gritando de dor, chorando e achando que ia morrer. Mas PELO MENOS isso não aconteceu. Acordei rápido, às 16:15. Com uma cólica forte, mas só.
Depois fui levada para o quarto no terceiro andar, longe de bebês e de mamães, e tive que tomar um monte de remédios. Meu namorado chegou e me abraçou... eu chorei mais um bocado, minha sogra, um amor de pessoa, também ficou do meu lado o tempo todo. Meu irmão veio me visitar, e o resto só não veio porque eu decidi ir embora.
Chamamos o médico e falamos que eu não ia ficar, enquanto eles assinavam os papeis eu tomei um medicamento na veia para ajudar a contrair o útero e diminuir o sangramento.
Meu pai foi nos buscar, e vim para a casa do meu namorado, que até agora não me deixa levantar da cama, está me entupindo de comida e sala e fruta.
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Só DEUS sabe o nervoso que eu passei naquele hospital, perdi o resto de dignidade que me restava. DENOVO fui invadida, perdi as forças que tinha para superar a primeira curetagem.
Provavelmente perdi o emprego, porque agora tenho que ficar 7 dias de repouso, no mínimo, e por não conseguir ficar naquele inferno, não ganhei atestado médico.
A unica coisa que me consola, que me fez seguir com isso tudo desde o momento que entrei alí, foi o fato de que meu bebe, meu anjo Miguel não ia ser mais machucado, não sofreria mais com tudo isso e que ninguém mais poderia tocar nele... ninguém mais ia machuca-lo.
E agora, tenho mais uma prova para acrescentar no processo. A segunda curetagem prova que a primeira foi um fracasso, as fotos provam que alguém alí dentro não sabe trabalhar. E eu vou até o fim com esse processo, nem que leve ANOS. O que eu sofri vai ficar na minha cabeça e na cabeça do meu namorado pelo resto de nossas vidas, vou me lembrar da imagem do meu bebê em minhas mãos, machucado e sem batimentos cardíacos, vou me lembrar daquela sala de cirurgia e de como fiquei vulnerável alí... de como aquilo foi humilhante, duas vezes humilhante.
Imaginem se eu não voltasse, o que poderia ter acontecido comigo?? Poderia ter perdido muito mais que apenas meu filho... poderia ter perdido o útero, e até mais.
(...)
Não há dinheiro que pague nossa perda e nossa dor, mas meu objetivo é tirar o CRM dessas pessoas que NÃO TEM CAPACIDADE para trabalhar num hospital, nem para cuidar da vida de alguém.
Por favor, me ajudem a publicar esse blog, para que isso possa se concretizar.
Que Deus me ajude a superar tudo isso... que eu consiga forças para continuar, porque nesse momento, não sinto nada além de tristeza e humilhação...
Eu sei como se como vc se sente,pois perdi meu bb por descolamento d pracenta um aborto retido. Tive q induzir o sangramento o o médico colocou 8 comprimidos lá chiquinha,senti a dor d parto e pior não tem bb pra levar pra casa.Ver aquelas mãe ter seus filhos e os chorinhos me matava por dentro. Eu perdi com 8 semanas por i negligência médica tbm.Com 8 semanas comecei a ter sangramento fui na emergência o médico fez a ultra d e viu o coração do bb batendo e não notou o tal descolamento. O canalha disse q eu podia até trabalhar achei estranho meu médico passou utragestan pra mim e fiquei d repouso. Não adiantou o sangramento continuo por uma semana e parou.Uma semana só quando bati outra ultra o bb sem banimento e o médico da ultra viu um descolamento enorme 22por 16.Como na primeira o canalha não viu.sai arrasada.Foi no início d dezembro d 2014 ainda estou traumstizada.Acabou natal e ano novo chorando,por mais q sei o sentimento de ser mãe pois tenho um menino d 8 mas era meu e estava dentro d mim eu planejei e não telo meu coração doi demais. Espero q vc ja tenha tido teu novo bb.Eu agora estou no meu martírio tô preocupada com minha menstruação q aina não desceu após coretagem. A sua demorou me d uma resposta pra eu ficar tranquila. Bjos fique com Deus.
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