
Eu, com 17 anos, engravidei.
Nunca achei que virar mãe fosse tão... natural.
Sempre me vi como mulher solteira, independente, e sempre dizia que não teria filhos tão cedo. Porém, um acidente aconteceu, e tudo isso mudou.
Descobri, e fiquei completamente assustada, pensei em milhares de coisas, fiquei com muito medo, mas depois de um tempo descobri que esse bebê estava pedindo para viver, pedindo para nascer e dizendo: "Mamãe, eu vou te amar mamãe! Vou ser sua maior alegria!".
Desde então, vivi o momento mágico, a alegria de sentir uma vida dentro de você, alguém que vai te amar não importa o que você faça, e alguém que você vai amar mais do que sua própria vida.
Ganhei roupinhas, comecei a pesquisar berços, nomes (Miguel se fosse menino, e Beatriz se fosse Menina), comecei a conversar com ele, contar histórias de noite, dizer o quanto eu o amava, enfim.
As semanas foram passando, e eu me apaixonando cada vez mais... planejando o futuro para meu filho, juntamente do meu namorado cada vez mais...
Porém, na 11 semana de gestação tive um descolamento ovular. Foi me passado 10 dias de repouso ABSOLUTO... cama-banheiro, banheiro-cama. E assim foi feito.
No 9º dia de repouso, na madrugada de um Sábado, às 01:30 da manhã, senti dores absurdas, como se fossem cólicas (mais tarde descobri que eram contrações). Fiz minha mãe me levar para o hospital.
A "médica" fez exame de toque e constatou que o colo do útero estava "querendo se abrir", mas não estava aberto. E pediu um ultra-som. Quando fiz, uma surpresa, tudo estava ótimo com o bebê, o coração batendo mais forte do que nunca, e o descolamento havia DESAPARECIDO.
Apesar do exame, as dores não passavam, e ela disse que isso poderia ser um início de aborto... me deu remédio para DOR, e me MANDOU PARA CASA!
Até mesmo a enfermeira que me medicava estranhou a médica não ter me internado, porém, como eu não sou formada em Medicina, acreditei na palavra dela e voltei pra casa.
Na madrugada seguinte (Domingo às 3:30 da manhã) as mesmas dores, só que mais fortes, eu chorava e gritava de dor, não conseguia andar, mal conseguia falar, nunca senti tanta dor na minha vida, e nunca achei que um ser humano poderia sentir aquela dor.
Fui novamente ao médico, dessa vez com meu namorado, Felipe. A mesma médica me atendeu, pediu outro ultra-som, e neste dizia: "Abortamento inevitável em evolução."
Pude ouvir o coração do bebê, estava forte da mesma maneira que no dia anterior... mas nada podia ser feito.
Os papeis de internação foram entregues ao meu namorado, que leu e assinou, tomei medicação para dor e fui encaminhada para o centro cirúrgico obstétrico, para fazer uma curetragem (ou seja, tirar meu bebê de dentro do útero ainda com o coração dele batendo).
Lá, fiquei ao lado de mulheres grávidas em trabalho de parto, e achei que seria algo rápido, do tipo: Anestesia, cirurgia, internação. Mas foi ao contrário. Foi demorado, e doloroso, MUITO doloroso.
Fiquei mais de 6 horas em trabalho de parto, tomando medicação para dilatar, para poder expelir o "feto" (meu filho... minha criança), porque de acordo com o médico, um feto de 3 meses não sai facilmente na curetragem.
Depois, quando viram que eu não aguentava mais, e que meu útero ja estava dilatado o "suficiente", me levaram para a cirurgia.
Em momento algum, até esse, eu pude descansar e parar de chorar... em momento algum até esse eu não senti dor. Só por causa da anestesia geral eu consegui apagar, mas quando acordei, as dores eram piores do que antes.
Me medicaram para dor, fiquei internada de domingo para segunda, e de manhã fui liberada, sem nenhum outro exame. Além da dor psicológica, perdi muito sangue e tenho riscos até agora de ter uma anemia séria. Tenho leves tonturas, cólicas, e minha "menstruação" ainda não acabou...
Voltei a minha rotina normal, extremamente cansada e em uma tristeza sem tamanho, sem achar que podia piorar... mas piorou.
2 dias e algumas horas depois do procedimento cirúrgico, enquanto trabalhava, senti um forte corrimento, e então o que achei ser um coágulo descendo. Fui ao banheiro, e não era um coágulo... era o meu bebê... meu filho... do tamanho de um dedo indicador, com braços, pernas, mãos, olhos, nariz e boca formados... com a estrutura óssea começando a se formar, podia ver as costelinhas dele, e pude ver até o sexo... uma pequena saliência na área genital, que visivelmente foi o suficiente para declarar do sexo masculino.
Nosso filho, Miguel, como tínhamos planejado caso fosse homem, estava bem na minha frente, em minhas mãos, morto a sabe Deus quanto tempo.
Imagine a dor que meu bebê não passou... imagine o sofrimento, o desespero dele quando foi feito a curetragem com o coração dele batendo e ele la dentro, vendo tudo sendo tirado dele... seu alimento, sua base de sobrevivência, tudo... imagine o quanto o instrumento cirúrgico, que não é pequeno, não machucou o corpinho do meu bebê, pois quando o vi ele não estava em condições perfeitas.
Como será que meu filho morreu? Quem o matou? porque isso aconteceu??? porque teve que ser assim? porque eu não pude sofrer mais do que ele? Jamais vou saber a que momento o coração dele parou de bater, mas tenho certeza que ele sofreu horrores enquanto eu achava que ele já estava em paz.
Meu senhor... meu DEUS... porque? porque isso foi acontecer comigo e com meu bebê?
Como pessoas que se dizem médicos conseguem fazer 2 pessoas sofrerem tanto?
Depois de tudo isso, minha unica reação foi chorar horrores e não saber o que fazer com meu bebê... fiquei um bom tempo naquele banheiro pensando no que fazer com seu corpinho e então decidi: Vou processar o hospital ALVORADA DE SANTO AMARO. Fui obrigada a tirar fotos para ter provas no tribunal, fotos nas quais JAMAIS colocarei na internet. Falei com meu namorado, passei as fotos pra ele e para o advogado que pegou nosso caso, e também apaguei as fotos de meu computador... não posso ver isso mais... não consigo suportar essa dor, se ver então, parece que alguém arranca meu coração fora.
(...)
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Sei que o texto é grande, porém quero mostrar minha indignação com esses "médicos" incompetentes que me atenderam. Desde a médica que me liberou na madrugada de sábado, ao médico que fez a curetragem. Já estamos atrás da papelada, e alguém vai ter que pagar por isso... e não com dinheiro, porque não há dinheiro NO MUNDO que pague o que perdemos...
POR FAVOR, ME AJUDEM A DIVULGAR ESSE BLOG, PARA QUE POSSAMOS PUNIR ESSES MÉDICOS E PARA QUE NINGUÉM MAIS SOFRA O QUE EU SOFRI!!!